segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Em direção a 2014...(o valor da dádiva)
É claro que os finais de calendário se propõem a análises e projetos efusivos e supostamente inovadores, pelo que todos os anos nesta altura se projetam ambições engolidas por horas assassinas que não deixam espaço para que a vida ande devagar e sempre a tempo. É claro ainda que é com boa intenção que prevemos jogadas de mestre com potenciais soluções miraculosas, objetivos pessoais e sociais, desejos retardados e um conjunto significativo de faixas atropeladas por elas mesmas, incapazes de se difundirem por falta de capacidade real, mas que jamais definham de vez: mantêm-se na vanguarda da linha de partida em direção a 2014, quando na verdade o que muda é um número, e algumas eventualidades políticas por inerentes decisões. Folheio os jornais e centro-me nas crianças, na fome e na violência, nos novos e velhos sem futuro, enquanto mergulho no chá quente com tília, não vá o sono sumir-se-me para sempre na noite, prevejo que jamais o encontraria. Não sou má por isso, é somente a concreta incapacidade para a aspirada mudança. Mas uma coisa tenho por verdade absoluta (e tenho poucas, tão poucas): descobri que cada vez mais me ligo à generosidade. Nunca tinha dado tanto valor à dádiva sem esperar nada em troca, e estou até convicta de que talvez seja esta a liberdade que faz falta ao Homem, numa utopia muito maior do que ele. Se a dita coubesse em 2014, este seria um ano enorme. Senão é continuar a tentar, que o que parece não faltar ao mundo é tempo (é a maior inveja que lhe tenho).
domingo, 29 de dezembro de 2013
Libertação...Vai-te embora, Ano Velho!!!
Não se agrada a gregos a troianos, é mítico. E real. Portanto, importa é que a nossa consciência não nos critique a nós mesmos... pelo menos não muito.
Porque as palavras dos outros, certas ou profundamente equivocadas, leva-as o tempo.
É a utopia da superioridade pura, enclausurada nas personalidades notáveis, construídas maioritariamente pelas mesmas, que realmente me enfada, me causa um tédio de morte...
Queriam-se as tarefas fechadas, os assuntos arrumados e a libertação deste ano velho e não pensar em mais nada .
Que vá andando na Paz do Senhor, já.
E ele nada.
Serão os anos como certos hóspedes? Vou ter de usar toda a minha diplomacia, e eu que a tenho guardada para situações de S.O.S porque não se pode ter tudo e não fui abençoada com quantidades massivas de tal coisa.
Porque as palavras dos outros, certas ou profundamente equivocadas, leva-as o tempo.
É a utopia da superioridade pura, enclausurada nas personalidades notáveis, construídas maioritariamente pelas mesmas, que realmente me enfada, me causa um tédio de morte...
Queriam-se as tarefas fechadas, os assuntos arrumados e a libertação deste ano velho e não pensar em mais nada .
Que vá andando na Paz do Senhor, já.
E ele nada.
Serão os anos como certos hóspedes? Vou ter de usar toda a minha diplomacia, e eu que a tenho guardada para situações de S.O.S porque não se pode ter tudo e não fui abençoada com quantidades massivas de tal coisa.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A síndrome da chegada tardia, das coisas perdidas, do tarde demais.
Equipo-me na entrada do ano de projetos e seus apetrechos. Tento-os, claro, não sou dada a pequenas colheitas demoradas...
Há mudanças na nossa vida que nos custam a vida inteira. Que nos levam a virar tudo do avesso, a sacudir a poeira de trapos antigos, a desembrulhar ideias novas e, por fim, a dar os primeiros passos no novo caminho. Há mudanças na nossa vida que mudam tudo. Que nos fazem sair da nossa zona de conforto e nos mostram outros mundos, outros caminhos, outros finais. Há mudanças que nos são impostas porque assim queremos. Que são forçadas porque a nossa escolha é essa. Há mudanças que valem tudo. Que valem por tudo. E que, no final, nos deixam diferentes. Porque também nos mudam a nós.
O melhor de 2013?
...não perdi a minha sanidade mental.
Ah, memória, inimiga mortal do meu repouso!...
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
A mágica apaga a memória...ESCOLHER, SEMPRE!!!
... a pensar que todos os anos, com mais ou menos crise, vejo gente indignada com o dinheiro gasto em presentes de Natal, que não entende que a gratidão também se exprime por dar presentes, tralha, coisas, àqueles de quem gostamos. Não é uma necessidade de vida ou morte, mas dá prazer (muito importante) e apazigua a ansiedade saudável de mostrar reconhecimento, amizade, amor. É muitas vezes um gesto, quando sabemos que o valor do presente não traduz nem de longe o que sentimos por aquela pessoa. Mas (ainda) não dá para oferecer um Matisse ou um Picasso. Perder a cabeça no Natal é, por isso, uma atividade que se recomenda. Além do mais, a economia, coitada, ao menos anima nestes dias.
Detalhe : a mágica apaga a memória. oh! oh!....
EU SEI um hino gigantesco e estranho
que a noite da alma anuncia ( quase sempre!) uma nova aurora...
...com paladares agradados e abraços com braços.
Detalhe : a mágica apaga a memória. oh! oh!....
EU SEI um hino gigantesco e estranho
que a noite da alma anuncia ( quase sempre!) uma nova aurora...
...com paladares agradados e abraços com braços.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Com Manuel Alegre e Barocci. ( Natal... tende dele a melhor parte.)
Com Manuel Alegre e Barocci...
Um Natal que vos seja conforme. Sereno ou esfuziante, tende dele a melhor parte.
NATALUm Natal que vos seja conforme. Sereno ou esfuziante, tende dele a melhor parte.
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
(Manuel Alegre)
Barocci, El Nacimiento. Museo del Prado. Madrid.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Um brinde ao inesperado...( Tenham um Bom Natal !!!).
As luzes de Natal continuam bonitas, tudo continua na mesma. O mundo está perigoso.
Que significa, afinal, esta alegria, esta felicidade, este júbilo? Será devido ao nascimento do menino que nasceu nas palhinhas em Belém? Não. Já ninguém quer saber do menino para nada. Deus morreu e o menino está só à espera da Páscoa para ser crucificado ...e ressuscitar novamente.
Natal é a ideia de Natal. Um espírito, um espetro bonzinho e simpático que desce à terra para insuflar bondade e alegria nos corações humanos . Por isso gostamos todos muito uns dos outros no natal. Gostamos muito uns dos outros, não porque gostemos especialmente muito uns dos outros, mas porque gostamos muito da ideia de gostarmos muito uns dos outros .
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
(Sidónio Muralha)
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?
(Sidónio Muralha)
Dizem que não existe tal coisa...(perdoem-me as crianças, que ainda têm direito ao sonho).
A todos um Bom Natal.
A todos um Bom Natal.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Tecer o momento novo. E ele chega...
Corro sempre o risco de me enganar. E de ter de refazer tudo desde o princípio. De pensar estar certa e afinal não. De achar que o meu caminho era aquele e, de repente, ele não passar apenas de um atalho para a verdadeira estrada. Que pode, também já percebi, não passar de uma vereda para um outro caminho melhor. Ou não.
Há algo em que temos de insistir, algo de que não podemos desistir. Somos. Existimos. Essa é a Magia. Ser. Ser e acreditar que podemos ser mais do que aquilo a que nos tentam reduzir. O deus ao qual pedimos? Peçam a vocês, e verão que resulta melhor. E resulta desde logo porque se formos crentes (em nós) o suficiente, e se lutarmos por nós, as coisas acontecem. Ou desacontecem. Como quem separa o trigo do jóio.
Se começarmos hoje, o amanhã vai ser menos distante.
Leva tempo. Quase tanto ou mais do que o tempo que levou a chegarmos a esta negação de vida.
Mas ou nos entregamos ao umbigo da nossa existência, e aí podemos atropelar os nossos iguais e dormir descansados. Há muito quem consiga e siga dessa forma...
A tábua de salvação está em algo que nós podemos ver, basta abrir os olhos.
A Magia de voltarmos a Ser...
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