segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

MUSAS..."Da Ciência e das artes da Mitologia Grega".


Tesouros que inspiram o homem...


"TESOURO ARQUEOLÓGICO"

Belíssimo mosaico de 2.200 anos encontrado na antiga cidade Grega de Zeugma, representando as Nove Musas da Ciência e das Artes da Mitologia Grega:
CLIO (Musa da História)
EUTERPE (Musa da Música)
MELPÔMENE (Musa da Tragédia)
THÁLIA (Musa da Comédia e da Poesia Leve)
TERPSÍCORE (Musa da Dança)
ERATO (Musa da Poesia Lírica)
POLÍMNIA (Musa do Hino Sagrado)
URÂNIA (Musa da Astrologia e da Astronomia)
CALÍOPE (Musa da Poesia Épica)




Musa de la música instrumental y protectora de los intérpretes. “La encantadora”, o “Señora de la Canción”, era representada con una flauta y guirnaldas de flores fragantes y frescas. 


Neste contexto, ocorre-me "Eugénio de Andrade"

A poesia de Eugénio de Andrade implica, de certa forma, falar de música. Da música das suas palavras .
Poesia é a mais alta criação humana. É o verbo divino, diz-nos Eduardo Lourenço. Porque, como certa grande música, ela é luz, oiro, plenitude, diálogo da promessa matinal com o ardor maduro, ou latejante, dos frutos, ou do corpo humano acordado para o seu próprio milagre arterialmente rumoroso.

SÓ AS TUAS MÃOS TRAZEM OS FRUTOS
"Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
destes olhos, e dos choupos,
carregados de sombra e rasos de água.
Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
– Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos. "
(Eugénio de Andrade)

00:00 01.Canción o [De qué callada manera] (Nicolás Guillén - Pablo Milanés) *con Ana Belén 03:14 02.Son de Cuba a Pue


(Palavras criam laços e mundos)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Momentos...retalhos!


(re)leituras de novo ano:
"O que é a felicidade, o que é a dor? Interroguei-me descendo as
escadas no dia do nascimento do nosso filho, como se esses dois
estados dividissem o meu corpo a meio...(...). Mas não existem
palavras para exprimir a dor. Seriam necessários gritos, estalidos,
fendas, reflexos brancos atravessando cobertas de algodão, uma
nova percepção do tempo e do espaço; seria necessária também
a impressão da extrema fixidez das coisas que passam; ruídos
longínquos e subitamente próximos, carne rasgada de onde o sangue
jorra; uma articulação bruscamente retorcida; e sobre isso qualquer
coisa de muito importante e remoto que só na solidão pode ser captado."
 
(Virginia Woolf)
(Um texto que fala admiravelmente da Dor! )
"Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor, o que temos pelos outros. De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos. E é por isso, talvez, que a grande amizade e o grande amor são aqueles que dão sem pedir, que fazem e não esperam ser feitos; que são sempre voz activa, não passiva"
(Agostinho da Silva)

JANUS que do alto da sua colina, em dias de luz ou trevas, tanto olha para o futuro como para o passado.
É o deus dos inícios e das transições. Nada teme. Encontra. Indica. Avança.

... a todos os que têm a capacidade de me aspergir com a sua imensa sabedoria e me mostram o caminho das pedras, aquele que me fará caminhar em segurança sobre as águas,  "um Novo Ano sem muitas pedras!".
Ah, é verdade, antes que me esqueça: e podiam fechar aquele estaminé chamado Banco de Portugal que não se perdia nada!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Votos de uma saída limpa...e uma entrada iluminada!!!


...e eu quero abraços, muitos!

"Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. 
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre."
Walt Whitman
Quando alguém parte, tem de deitar
ao mar o chapéu com as conchas
apanhadas ao longo do Verão,
e ir-se com o cabelo ao vento,
tem de lançar ao mar
a mesa que pôs para o seu amor,
tem de deitar ao mar
o resto de vinho que ficou no copo,
tem de dar o seu pão aos peixes
e misturar no mar uma gota de sangue,
tem de espetar bem a faca nas ondas
e afundar o sapato,
coração, âncora e cruz,
e ir-se com o cabelo ao vento!
Depois, regressará,
Quando?
Não perguntes.
(Ingeborg Bachmann)

Quero ver o mar que me descansa. Ficar  maravilhada soletrando sóis, árvores, amores intemporais, alegrias, saudades, poemas cheios de luz....
Balada del mar no visto

Quero distanciar-me de:
-Ladrões, gestores, criminosos , mentirosos, calculistas e gente estúpida em lugares de decisão.
Desejo no novo ano, que dentro do meu coração estejam o nome de todos os meus amigos:
-Os antigos e os mais recentes. Os de perto e os de longe. 
-Os que vejo a cada dia, e os que raramente encontro.
-Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos.
-Os das horas difíceis, e os das horas alegres.
-Os que sem querer magoei ou sem querer me magoaram.
 -Aqueles que pouco me devem e aqueles a quem muito devo.
                     -Todos os que  passaram na minha vida.
                                   ....um ano LINDO!!!


Fausto Bordalo Dias Lembra-me um sonho lindo - Foi por ela - Ao longo de um claro rio de água doce ___…
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Do espírito de Dezembro...


Ninguém gosta mais do Inverno do que eu!!!...
Não me incomoda o frio, porque nos dá oportunidade de usar soberbos casacos, luvas, carapuços e cachecóis. Sem o Inverno, vai-se metade da piada de ter um belo guarda roupa. Depois, tem o Natal, tem as lareiras, as pessoas andam muito solidárias...muito caridosas, muitas festas, da empresa, da instituição, muito amor...(a rodos!) e muita harmonia. 
É de louvar.
Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

“Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas.” 
(Eduardo Galeano)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Divas___ Maria Callas.



Há coisas que eu gostava de dizer, mas... falta-me a inteligência das mulheres sedutoras e dos homens geniais...
É tanto o horror relativo ás vítimas da violência do mundo que não pode assimilar-se com a alma e a mente e a esperança, essa pequena luz que me empurra para continuar a andar por esta vida, sem justiça, onde muitos homens perderam a sua condição humana, onde a perversão está cada dia mais eficiente e cruel, gerando uma impotência sem limites, porque é muito difícil de manter, eu sinto muito, mas decidi tomar um pouco de "ar"...
... e voltar a ver o mundo com os olhos de CRIANÇA.


 dicembre 1923, a New York, nasceva Maria CALLAS, la Divina.

00:00 "Casta diva" Norma - Bellini 05:30 "Madame Butterfly" 09:57 "Sempre libera" La Traviata 13:58 "Sí, mi chiamano Mimí" 18:40 "O mio babino caro" Gianni S...
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ACONTECE-ME ÀS VEZES, E SEMPRE QUE ACONTECE...
Acontece-me às vezes, e sempre que acontece e quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de acto com que dominá-lo.
Para o remediar o suicídio parece incerto, a morte, mesmo suposta a inconsciência, ainda pouco. É um cansaço que ambiciona,
não o deixar de existir — o que pode ser ou pode não ser possível —, mas uma coisa muito mais horrorosa e profunda, 
o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser.

Creio entrever, por vezes, nas especulações, em geral confusas, dos índios qualquer coisa desta ambição mais negativa do que o nada.
 Mas ou lhes falta a agudeza de sensação para relatar assim
o que pensam ou lhes falta a acuidade de pensamento para sentir assim o que sentem. O facto é que o que neles entrevejo não vejo. O facto é que me creio o primeiro a entregar a palavras o absurdo sinistro desta sensação sem remédio.

E curo-a com o escrevê-la. Sim, não há desolação, se é profunda deveras, desde que não seja puro sentimento, mas nela participe a inteligência, para que não haja o remédio irónico de a dizer.
Quando a literatura não tivesse outra utilidade, esta,
embora para poucos, teria.

Os males da inteligência, infelizmente, doem menos que
os do sentimento, e os do sentimento, infelizmente, menos
que os do corpo. Digo «infelizmente» porque a dignidade humana exigiria o avesso. Não há sensação angustiada do mistério que possa doer como o amor, o ciúme, a saudade, que possa sufocar como o medo físico intenso, que possa transformar como a cólera ou a ambição. Mas também nenhuma dor das que esfacelam a alma consegue ser tão realmente dor como a dor de dentes,
ou a das cólicas, ou (suponho) a dor de parto.
De tal modo somos constituídos que a inteligência que enobrece certas emoções ou sensações, e as eleva acima das outras,
as deprime também se estende a sua análise à comparação entre todas.
Escrevo como quem dorme, e toda a minha vida é um recibo por assinar.
Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
BERNARDO SOARES
Livro do Desassossego Vol.I.
Fernando Pessoa

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Prazer(es)...


Com o cair da noite, o horizonte abre-se num brilho melancólico.
E assim é a vida: um caminhar de um momento de redenção para outro.
E talvez eu tenha de procurar muitas vezes a minha redenção
num bom pedaço de prosa, numa escultura, numa música, numa pintura, na singularidade da ... ARTE - que é meio caminho para fazer a travessia por este mundo com um mínimo de sanidade.

"...
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer coisa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
..."
(Alberto Caeiro) 


"(...) A arte já não é capaz de conter a necessidade de absoluto. (...). Só no passado a arte está próxima do absoluto e só no Museu continua a ter valor e poder.
Ou então, desgraça mais grave, acabamos por reduzi-la a simples prazer estético ou auxiliar da cultura. Tudo isso é bem conhecido. É um futuro já presente.
No mundo da técnica, podemos continuar a enaltecer os escritores e a enriquecer os pintores, podemos prestar honras aos livros e enaltecer as bibliotecas; podemos reservar à arte um lugar porque é útil ou porque é inútil. (...)
Aparentemente, a arte não é nada se não for soberana."

Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria.
Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és.
Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto.
Sê teu filho.
Ricardo Reis
médico, nasceu no Porto, em 1887.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Et voilá__não nos desiludam!!!...Serão estes um bom presente de Natal???



Boa sorte e não nos desiludam!
Há comentários e análises para todos os gostos: esperançados, descrentes, invejosos, ressabiados, frustrados, contraditórios, incoerentes, animados, furiosos…
Serão estes um bom presente de Natal???

Quase sem saber como, o Natal está à porta !...

"Não te mexas.
O futuro é perder o equilíbrio,
cair até bater no fundo
de uma insónia hora a hora
interrompida para respirar
à superfície da luz.
Não te mexas, ainda.
Não hesites, não assustes o sonho
pousado em teia sobre ti,
não agites as águas.
E talvez a vida se deixe
ficar à margem
com os seus dias armados de pedras.
(Inês Dias)
Faça-se o presépio:
Basta dar uma auréola a cada uma das figuras, embrulhar o Menino Jesus numa manta e fazer um narizinho bonitinho. E os pequenitos ficam encantados. Pois, que a Nossa Senhora é bonita, é uma figura feminina, o Menino é criança como eles e enfim...o imaginário da arte fala mais alto.
 Mas é estranho - apesar de alguma ênfase que tem regressado nos últimos anos- que o Menino Jesus, o aniversariante, ande tão esquecido no meio da equação.
Nada contra o bondoso S.Nicolau, transformado em Pai Natal criado pela Coca Cola (dizem...). Mas o Menino Jesus é o dono da festa. Ponto.
 Na terra onde nasci , não se falava em Pai Natal. O presente no sapatinho era invariavelmente obra do Menino Jesus. 

MARIA BETHANIA - POEMA DO MENINO JESUS - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=sTwcoBvA3nU
01/12/2012 - Carregado por Marcio Costa
MARIA BETHANIA - POEMA DO MENINO JESUS E O DOCE MISTERIO DA VIDA.