segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A pensar no "amanhã" _ navegar é preciso!


"Barco parado não ganha, / Navegar é conseguir" 
 (V. Nemésio)

Enquanto as Jonets, os frades ,os páfs, e "outros", estão reunidos na sacristia a analisar a situação política portuguesa...


...naveguemos


o desplante:

hqdefault"O Estado Social, segundo Isabel Jonet, deve limitar-se a ajudar os mais fracos dos mais fracos. O Estado Social não deve, portanto, ajudar os que são apenas fracos, porque os fracos, no fundo, são fortes e fortes do pior tipo. O fraco é um forte que se limita a fazer força para parecer fraco. Não é por acaso que dos fracos não reza a História: não porque não sejam fortes, mas porque não são suficientemente fracos. Para Isabel Jonet, fraqueza é algo que se resolve com um copo de água e açúcar.
E os mais fracos? Não deveria o Estado Social ajudá-los? Os mais fracos são só fraquinhos, gente tão desprezível que é olhada de lado pelos fracos. Cálculos recentes permitem, aliás, saber que um fraco terá a força de dez mais fracos."
(do blog Aventar)





Navegar é Preciso - é um texto famoso de Fernando Pessoa, desses que se incorporam à memória cultural de um povo.
"Navegadores antigos tinham um lema: navegar é preciso, viver não é preciso. Quero para mim este lema, adaptando-o à minha vida e à minha missão no mundo: viver não é necessário, o que é necessário é criar."
 (não percam o dia de amanhã)

SIMONE Bittencourt de Oliveira "LIBERDADE, LIBERDADE / O AMANHÃ" Produzida por João Sérgio. [Niltinho Tristeza / Vicentinho / Preto Jóia / Jurandir /…
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domingo, 8 de novembro de 2015

A ti, que ainda sonhas com um livro colorido a brilhar nos dedos da realidade, desejo-te esperança.


Que tempos são estes em que é necessário defender o óbvio?
(bertolt brecht)



“(…) Poucos são os homens que se apercebem de que as suas vidas, a essência mais profunda das suas personalidades, as suas capacidades e os seus rasgos de audácia, são apenas a expressão duma crença na segurança do meio onde vivem. A coragem, o sangue-frio, a autoconfiança; as emoções e os princípios; as grandes ideias e as ideias sem préstimo pertencem não ao indivíduo mas à multidão: à multidão que acredita cegamente na força irresistível das suas instituições e dos seus costumes, no poder da sua polícia e da sua opinião. Mas o contacto com a selva e sem mediações, com a natureza primitiva e com o homem primitivo, traz uma perturbação profunda e repentina ao coração. Ao sentimento de estarmos sozinhos, sem outros iguais a nós à nossa volta, à percepção clara da solidão do nosso pensamento, das nossas sensações, à negação do habitual e que é seguro, vêm acrescentar-se a afirmação do não habitual, que é perigoso, a sugestão de coisas vagas, incontroláveis e repelentes, cuja intrusão desmoralizante excita a imaginação e mina do mesmo modo os nervos civilizados do tolo e do sábio.
(…)
O medo fica sempre. Um homem pode calar dentro de si o amor, o ódio, as crenças e mesmo a dúvida; mas enquanto se apegar à vida, não calará o medo: o medo subtil, indestrutível e terrível, que lhe invade o ser; que lhe cobre os pensamentos; que se oculta no seu coração; e que lhe espreita nos lábios o esforço do último suspiro. (…)”
(Joseph Conrad)


Entrevista de Sophia em 74 ( excerto evocado no programa A Força das coisas)
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

As cores do dia___!!!

Ah, sei, apenas umas baforadas de fumo branco. Mantenham-nos informados.

"Sem saber quando virá a Aurora,
Abro todas as Portas..."
(Emily Dickinson)


A propósito do  fumo branco, - às esquerdas!
O candidato já terá rezado o terço? A ministra já terá encomendado as couves a Deus? O ministro já terá atirado água benta às nuvens? O cardeal, com tantas fezes, já terá convocado uma novena para ressuscitar o defunto governo do gang instalado? Já terá encontrado uma criança pobre a quem incumbisse da missão de rezar pela conversão do Costa?

"À beira do princípio, do precipício,
o Anjo do Conhecimento cega
para poder ver o início
da sua queda caótica.
Aquilo que o Visionário vê é o que
o vê a ele do alto do Futuro
para onde cai com o conhecimento obscuro de
saber que está no sítio para onde vai.
(O que regressa ao sítio de onde nunca saiu
é o mesmo que nunca lá esteve,
o que sobe a escada e transpõe a porta
que dá para toda a parte)".
(Manuel António Pina)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A todos vós seus medíocres!!!


A todos vós, seus medíocres. A todos vós, que sois medianos. A todos vós, que nada sois de especial!
Prestai atenção!

 Vou ficar a aguardar, não que a minha pensão seja triplicada, mas sim que sejam repostos os injustos cortes que lhe fizeram, e devolvidas as também injustas alcavalas que lhe aplicaram.

Bem sabeis quão poucas capacidades tendes. Bem sabeis quão pouco impressionantes são os vossos feitos.
Tudo o que dizem de vós, todos os impropérios, todas as ofensas, todas as críticas pela vossa tremenda vulgaridade, pesa comunicar-vos, são absolutamente legítimos! 
Há em vós uma incapacidade crónica de fazer algo de glorioso, de fazer algo brilhante, algo absolutamente notável. Por muito que vos esforceis, por muito que tenteis, nunca ireis brilhar como brilham os grandes, nunca sereis aplaudidos nas praças e nas ruas.

(fotografia de Zélia Figueiredo)https://www.facebook.com/zelia.figueiredo.5?fref=nf

"Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares."

(Hilda Hils)
Lembrei-me______A propósito destes dias de chumbo....

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Das boas intenções...



Música...


A solidariedade é sempre algo positivo, mas isto são peditórios a mais. Sinal indubitável de um Estado a falhar. Caso para perguntar que é feito com os impostos que pagamos.


"Ensinar, escrever, cantar, compor música, levá-la à soleira da porta para que ela receba o sol, são actos de amor.
Não deixar estropiar o ensino, a escrita, o canto, a composição da música que se leva à soleira da porta para que receba a transparência da lua, são actos de protecção amorosa "

(Maria Gabriela Llansol)

 Saibamos transmitir - para além de uma  consciência solidária - um espírito crítico e de exigência em relação aos gastos e obrigações do Estado.




Vidéo que j'ai réalisée, inspiré de la merveilleuse chanson d'Angélique Ionatos. " Y a-t-il de la place pour les poètes. 

____"cada dia, comendo silenciosos a vida, repugnante ou doce, alegre ou inimiga".____
(Pier Paolo Pasolini)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Jorge de Sena "autor de uma obra marcada, sobretudo, pela reflexão humanista acerca da liberdade do Homem".


Jorge de Sena nasceu em Lisboa no dia de finados, mas bem poderia dizer-se que nasceu num dia demasiado irascível para caber no Zodíaco.
Jorge de Sena,  detestava do fundo da alma a mesquinhez portuguesa.
 Do seu inconformismo – político, social, literário –, aliado a uma atividade de criação constante e intensa brotou uma obra extensa, repartida pela poesia e pela prosa de ficção narrativa desdobrada nas suas várias modalidades (mais de trinta contos, uma novela e um romance), pelo teatro (uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um acto), pelo ensaísmo, pela crítica e pela tradução (cerca de quarenta volumes), pela investigação e pela docência universitária, trocada pela Engenharia Civil, porque tudo vem cair na casa para que estava destinado.
"Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
Desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
E sempre a verdade vença,
Qual será ser livre aqui,
Não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
É quase um crime viver.
Mas embora escondam tudo
E me queiram cego e mudo,
Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade."


JORGE DE SENA - CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS


"Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo."

O regresso à pátria-longe com que tanto terá sonhado nunca chegou, pesem embora os entusiasmos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Jorge de Sena terá partido zangado com Portugal, assumindo o destino trágico de Camões, o seu grande interlocutor, por ele resgatado ao academismo e à «admiração paralítica».



Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya 
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. 
É possível, porque tudo é possível, que ele seja 
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, 
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém 
de nada haver que não seja simples e natural. 
Um mundo em que tudo seja permitido, 
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, 
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós. 
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto 
o que vos interesse para viver. Tudo é possível, 
ainda quando lutemos, como devemos lutar, 
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, 
ou mais que qualquer delas uma fiel 
dedicação à honra de estar vivo. 
Um dia sabereis que mais que a humanidade 
não tem conta o número dos que pensaram assim, 
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, 
de insólito, de livre, de diferente, 
e foram sacrificados, torturados, espancados, 
e entregues hipocritamente à secular justiça, 
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.» 
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, 
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas 
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, 
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, 
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, 
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória. 
Às vezes, por serem de uma raça, outras 
por serem de uma classe, expiaram todos 
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência 
de haver cometido. Mas também aconteceu 
e acontece que não foram mortos. 
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, 
aniquilando mansamente, delicadamente, 
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus. 
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, 
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha 
há mais de um século e que por violenta e injusta 
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, 
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria 
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos. 
Apenas um episódio, um episódio breve, 
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis) 
de ferro e de suor e sangue e algum sémen 
a caminho do mundo que vos sonho. 
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém 
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. 
É isto o que mais importa – essa alegria. 
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto 
não é senão essa alegria que vem 
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém 
está menos vivo ou sofre ou morre 
para que um só de vós resista um pouco mais 
à morte que é de todos e virá. 
Que tudo isto sabereis serenamente, 
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, 
e sobretudo sem desapego ou indiferença, 
ardentemente espero. Tanto sangue, 
tanta dor, tanta angústia, um dia 
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga – 
não hão-de ser em vão. Confesso que 
muiltas vezes, pensando no horror de tantos séculos 
de opressão e crueldade, hesito por momentos 
e uma amargura me submerge inconsolável. 
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, 
quem ressuscita esses milhões, quem restitui 
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado? 
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes 
aquele instante que não viveram, aquele objecto 
que não fruíram, aquele gesto 
de amor, que fariam «amanhã». 
E, por isso, o mesmo mundo que criemos 
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa 
que não é nossa, que nos é cedida 
para a guardarmos respeitosamente 
em memória do sangue que nos corre nas veias, 
da nossa carne que foi outra, do amor que 
outros não amaram porque lho roubaram.

domingo, 1 de novembro de 2015

Da arte que interpreta a história______

"QUE POVO ESTE! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão..."
(Miguel Torga)

"A caminhada do medo" de Graça Morais


"Na arte, como em quase tudo, os portugueses são sempre o povo dos brandos costumes e das afirmações tímidas. Poucos artistas até hoje fizeram imagens assombrosas, penetrantes e violentas por dentro como Graça Morais.
Estas obras que Graça Morais realizou em profundo isolamento e com grande sofrimento são herdeiras de um "Grito" de Münch ou de uma "Guernica" de Picasso. Trazem ecos de Goya e de Kiefer. Ou seja, carregam em si o desespero e o horror, a morte e o caos num tom nervoso e grotesco. Fazem da estética expressionista o veículo ideal para transmitir o assombro..."


                                                 (Graça Morais)




                                     "Grito" de Münch 



 “Guernica” de Picasso


 Goya



 Kiefer

"A arte não é para mim um prazer solitário. É uma maneira
de comover o maior número possível de homens, oferecendo-lhes
uma imagem privilegiada dos sofrimentos e alegrias comuns."
Alberto Camus, in "Discursos da Suécia"