sexta-feira, 23 de outubro de 2015

De bradar aos céus!!!....

......o Presidente rasga a Constituição e afirma que não respeitará qualquer coligação que envolva partidos à esquerda do PS.

Não vem aí coisa boa, com o transitório inquilino de Belém a querer assumir o estatuto de dono da chave e proprietário da democracia.



Ah, dancemos, 
dancemos, ainda, irrevogavelmente,
soltemos uma gargalhada visceral sobre tudo isto [...]
AMADEU BAPTISTA, «O Ano da Morte de José Saramago», 2010






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cá se fazem , cá se pagam Sr. Presidente!...


...ai as insónias!!!

-Tome chá de camomila e reflita e melhore , caso isso seja possível.

O rumo que este último "roteiro" tomou não estava nos seus planos, e apenas veio

provar que por vezes, "elas cá se fazem, e cá se pagam".


 conselho

"Sê paciente: espera
que a palavra amadureça
e se desprenda, como um fruto,
ao passar o vento que a mereça."


(eugénio de andrade)

Onde devia estar a grandeza, há apenas o favor público; onde devia apresentar-se o carácter, está somente uma lisonja das multidões. É natural que um dia, farto de ser ludibriado pelo seu próprio gosto fácil e pela insipidez da sua megalomania, o mundo se encha de desprezo e rebente com as cadeias em que anda e com a pobreza de mitos em que vegeta.
(Agustina Bessa-Luís)



Fugue on theme from Albinoni's Sonata, Op 1, Nos. 12, 3 and 10 Glenn Gould, Piano Pieces for clavier playlist:

(notícia de última hora___será anunciado aos portugueses pelo SR: Presidente as decisões  políticas que vier a tomar, ainda hoje)

UPS! UPS !UPS!


UPS! UPS! UPS!
UPS! UPS!UPS!

UPS!!!
UPS!!!





(Parece que vai ser anunciado governo... dizem em última hora)
UPS!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Esta gente/ Essa gente______!!!


Porque está repleto de cinza o dia?...

... estes analistas , que passam a vida a aconchegarem-se ao poder instalado , agora sobressaltados pela realidade, querem fazer-nos crer que estamos metidos numa embrulhada, quando na realidade, quem provocou a embrulhada (se embrulhada há) foi o inquilino de Belém.

Desembrulhem-se!!!...

"Esta Gente / Essa Gente
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente

NENHUMA!

A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente"

(Ana Hatherly)

 


"cuidado, Casimiro cuidado, Casimiro cuidado, Casimiro"


Sérgio Godinho - Campolide (1979) - 3. "Cuidado com as imitações" -- 4:08

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

vamos ao que importa!!!

                            _______entremos na neblina do outono_______


"Para não morrer de espanto, para poder com isto, para não
ficar só e doido, é que inventei a insignificância, as palavras, a honra e o dever, a consciência e o inferno."
(Raúl Brandão)

"Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi."
Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

(pronto, agora vamos trabalhar, descansar, passear e daqui a alguns dias cá estaremos, de novo, a dar a nossa esmolinha para as presidenciais...ou não???)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

______Neste dia especial da música_____

"Este foi o primeiro pensamento claro e distinto, pela manhã.
eu, semelhante e dissemelhante de uma coisa mínima, não sou 
 o centro do Universo."


"eu quero saber mais do mundo para onde irei."

(Maria Gabriela Llansol, "Amigo e Amiga")

____eu que gosto de arte em geral, de literatura, de música, de cinema, de fotografia, respeito toda a gente , anestesiada pelo odor do outono e pelo ambiente musical que me envolve afirmo:
 - no dia 4 de Outubro do corrente ano vou votar num partido decente e de esquerda... fazendo votos para que os restantes partidos (aqueles que têm sido manifestamente indecentes, capitaneados por delinquentes e malfeitores) sigam direitinhos para o raio que os parta, salvos sejam.


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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Este é o tempo dos gestos...



OS DEBATES __________

Ora agora ganhas tu,
Ora agora ganho eu,
Eu cá não sou nada sem tu,
E tu não és nada sem eu.


Ora agora dizes tu,
Ora agora digo eu,
Vê lá bem o que dizes,
Não vá dizeres que fui eu.


(Não sei o que vos diga perante isto____ graça ou desencanto!!!... 
Tratam-nos como verdadeiros incapacitados)


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Relembrar_____Sophia de Mello Breyner Andresen, sempre!

Fez onze anos que morreu sophia, podia escolher um dos seus belíssimos poemas, sobre o mar ou sobre a pátria, mas hoje é de mulheres que se exige que se fale!



RETRATO DE MÓNICA
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.
Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.
Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.
O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.
É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.
E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.
Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.
Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.
Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.
E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Contos Exemplares
Porto, Figueirinhas, 1996 (29ª ed.).