quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Equilibrar _______ "Vivam, apenas! sejam bons como o sol... livres como o vento. Naturais como as fontes".



"O que eu quero saber, no fundo, é o que é isto de ser-se
um ser humano. O que quero saber é essa coisa tão simples
e que não tem resposta: quem somos?"
(José Saramago)


(faz hoje 66 anos)

"Eu não sei nem como nem quando, mas alguma coisa de humano acabou".
(Pier Paolo Pasolini)
Recordo alguns campos gelados
e um sol de Outono, mortiço, em que os pés se
afundavam.
Aqui não há neve.
Abaixo de zero só o frio que nos invade
ao abrir os jornais, cada manhã.

Preciso da tua mão como se fosse uma lanterna
- com ela poderei atravessar esta floresta,
encontrar talvez uma saída.
Egito Gonçalves, "tempo migratório"

sábado, 3 de janeiro de 2015

Não sabendo mesmo o que importa... celebro o dia, com arte!...

Há aves que levam a vida a dizer: «Ah, se eu quisesse!...» - e nunca levantam voo, só andam. Provavelmente, o melhor ainda será nascer sem asas e fazê-las nascer e alargar à nossa própria custa. Sonhar que voamos é sinal de crescimento.
(José Saramago)




"viver com a crueldade
da criança que
tira os olhos ao pássaro


um desconhecido
movendo-se constantemente
no deserto
em que cada pegada deixa
bem marcada na areia
a imagem dessa
outra existência
em que a morte e a memória
ainda mais significam

mais alto

muito mais alto talvez
que a claridade
do voo das aves que
partem para o desconhecido

o próprio corpo nada mais é
do que a sombra
bem simples por sinal
dos braços que nos rodeiam
por erro nosso ou dos outros
já não existe
a persistência do que
foi perdido


e as mãos
as mãos que sentimos
bem presas seguras aptas
essas
todos sabemos
que podem ainda cada vez mais
esmagar com cuidado com extremo cuidado
dilacerar suavemente

nos olhos
está o amor"
(mário-henrique leiria)



É nas pequenas maravilhas que os meus olhos descansam...

Parece-me que devemos fugir do feio, dar mais ênfase ao belo; condenar o mal e puxar pelo bem. Só assim se conserta alguma coisa...




Angélique Ionatos chante Frida Kahlo extrait de l'album "Alas pa'volar" (Editions : Naïve) Texte : Frida Kahlo, musique Christian Boissel photo A. Ionatos : ...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

idiotas...

PERFIL DO IDIOTA
"O idiota é geralmente competente, moralmente irrepreensível e socialmente necessário. Faz o que tem a fazer sem dúvidas ou hesitações, respeita as hierarquias, toma sempre o partido do bem e acredita religiosamente nas grandes ficções sociais.
A incapacidade de relacionar as coisas, as ideias e as sensações transforma-a ele em força, e como lhe escapam as causas e os fins do que lhe mandaram fazer, fá-lo com prontidão e limpeza, sem introspecções inúteis. Do mesmo modo, como vê no destino o único regulador da vida, acha que se uns dão ordens e outros obedecem é porque todos cumprem misteriosas injunções da providência, as quais é não só inútil, mas criminoso sondar.
 O idiota é todo liberdades.
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Embora para um idiota seja uma desvantagem não saber que o é, normalmente ninguém lho diz: segundo Brecht, “tornar-se-ia vingativo como todos os idiotas”. Aliás, o mesmo Brecht diz que ser idiota não é grave: “É assim que você poderá chegar aos 80 anos. Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem. E então na política!”
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Para o idiota, os sentimentos e as emoções são “uma boa”, constituindo dados manipuláveis. Em si mesmos, não lhes acha qualquer sentido ou valor, mas de qualquer modo são coisas que lhe podem trazer vantagens ou desvantagens: é preciso, portanto, avaliar-lhes as implicações e consequências. Ao lidar com sentimentos e emoções, os próprios e os alheios, o problema, para o idiota, consiste em controlá-los, guiá-los, desfrutá-los, e isso implica trabalho, cálculos complicados e a aprendizagem de técnicas nem sempre fáceis.
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No plano do consumo e na vida social, o idiota português aprecia as coisas cómodas, os pequenos e grandes privilégios, planeando com minúcia o modo de obtê-los. Sejam quais forem as suas petições de princípio políticas, no fundo é um céptico, despreza o “povinho”, vive fechado para os outros. Aos generosos e altruístas, considera-os parvos ou hipócritas. O idiota circula à volta do sucesso como a borboleta em redor da chama, agarrando-se como lapa ou mexilhão a quem o alcança. Espertalhão, agrada-lhe receber, mas dá o menos possível, e arranja sempre qualquer explicação ética para justificar este comportamento. Na realidade, a sua lógica, elementar como as suas poucas ideias e imagens, consiste apenas em receber sempre mais do que dá.
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Os idiotas andam sempre juntos: consomem os mesmos produtos, frequentam os mesmos locais, lêem os mesmos livros e jornais, e têm uma habilidade notável para descobrir e evitar quem não é idiota. Graças a Deus! A política, porém, unifica o conjunto da sociedade sob o signo da idiotia: pessoas estimáveis, notáveis até nos diversos domínios do saber e da cultura, quando chegam à política tornam-se idiotas. Triunfam, quer-se dizer. Tornam-se, enfim, públicas.
[Publicado no Diário de Lisboa, de 12/6/87.] "
(Ernesto Sampaio)


Onde há uma vontade, há um caminho, e as portas estão abertas!...
Impor limites àquilo que incomoda, só depende de cada um!!!...




segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Há fogo sob a terra...que entra em nós às golfadas.

Nós somos as testemunhas...


"Verdade, mansidão e justiça vos hão de levar adiante, Vossas armas serão victoriosas, e vosso Reyno eterno."

A Filosofia não é uma ciência mas deve dar o valor aos que a merecem.
O mal não é simplesmente uma ausência do bem, como pensava S. Agostinho. O mal é a ausência da consciência do bem por estarmos demasiado concentrados em nós próprios, esquecidos da humanidade do outro, tapada pelos interesses.

"Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me. Sinto-me expulso da minha alma."
 ( desassossego, Fernando Pessoa)
Não se pode confiar...
...  principalmente no Homo politicus.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Fora de moda ...(a honra )


Vêm aí dias piores...
... há um cheiro rosado de nevoeiros e de poeira humedecida.
E cresce no meu coração uma raiva contida, de ver tantos hipócritas. A minha alma ferida perdeu toda a inocência ...


                               COMO TUDO VAI MORRENDO... (EM MIM!)

"A honra é um conceito fora de moda - se antigamente certas pessoas não eram recebidas em certos sítios por muito sucesso ou fortuna que tivessem, hoje verifica-se o contrário.
Importam os resultados, o arrivismo, a arte de se safar, de embolsar, de ser um figurão, um espertalhão, um chico esperto...
A bajulação, os compadrios, os malabarismos, a corrupção, os cordelinhos, a ambição desmedida, o subir de forma horizontal ou torta, o virar de casacas e as batotas, o arrivismo e o alpinismo muitas vezes não compensam".
E Deus não dorme , dizem!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A assaltar-me atitudes reflexivas!...

Não importa nada o que pensas ou dizes, o que realmente importa é o que fazes...

Tenho o vício da noite. Ontem dormi muito. Senti que perdi uma noite. Mas tudo bem, é preciso ir perdendo coisas. Deixem-me contar:
Na minha saída matinal, tomar café , no local do costume, ( rotinas diarísticas que me andam a cansar) apanhei um livro, ao "calhas" de José Micard Teixeira e folheei-o... ( com conselhos e dicas que acertam na alma, que nem uma luva).
Gostei.

Fiquei-me por esta reflexão "viver em medo".

"Sentes medo? Então? O que fazer? Fugir?"

"Eu não tenho isto, não tenho aquilo"

"Vê todo o caminho que percorres-te atá hoje? Agrada-te? Reconheces-te nele? Observa no que te tornaste? Gostas do que vês?......"

A verdadeira libertação é uma atitude na vida!

Pára de te queixar! Reergue-te! Renova-te! Edifica-te! Muda! Vive!...


"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
(Albert Camus)




(A minha nova vida está a demorar uma eternidade a carregar... que desespero!)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Espelhos...



ABRO - TE A PORTA DO POEMA; E TU ESPREITAS PARA DENTRO DA ESTROFE, 

ONDE UM ESPELHO TE ESPERA. 
(Nuno Júdice)

Hoje apetece-me falar de espelhos...
Gosto de espelhos. Gosto de os usar para me ver, uns dias mais que outros.
Os espelhos têm, como muitas outras coisas, duas faces.

A maior parte das vezes o "meu" espelho diz-me:

Não percas tempo. Nem oportunidades. É para fazer? Faz-se!  É para viver? Vive-se!

 Nada como seguir a intuição. E a minha diz-me sempre que não há tempo a perder...


E também que nem tudo é cinzento...


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)


(Uma avalanche de sentires)